Design Gráfico
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Por que o portfólio importa tanto em design gráfico
Design é a área em que o portfólio engana com mais facilidade, porque o que salta aos olhos é o estilo — e estilo é gosto, não qualidade. Duas peças igualmente bem executadas podem parecer muito diferentes, e a bonita para você pode ser a errada para o seu negócio. O que o portfólio realmente revela, se você souber olhar, é outra coisa: se a pessoa resolve problema ou só decora, se ela consegue trabalhar fora da zona de conforto dela, e se o trabalho aguenta sair da tela e ir para o mundo real.
Como avaliar o portfólio
Procure variedade de problema, não de estilo
Portfólio com dez peças no mesmo estilo pode significar domínio de uma linguagem ou incapacidade de fazer outra. O que separa os dois é o tipo de cliente: se as dez peças são para negócios muito diferentes — uma padaria, uma clínica, uma transportadora — e todas ficaram parecidas, o designer está aplicando o gosto dele em cima de qualquer briefing.
Veja se existe peça aplicada, não só mockup
Mockup é a imagem do logo flutuando sobre uma parede de concreto. É bonito e não prova nada. Peça aplicada é a embalagem na prateleira, a fachada instalada, o cardápio em uso. Portfólio só com mockup costuma indicar trabalho que nunca saiu do computador — o que é comum em quem está começando e vale saber antes.
Olhe o trabalho pequeno, não o caso de destaque
Todo mundo mostra o melhor projeto na frente. O que prevê como será o seu job é o trabalho mediano: o post comum, o folder simples, a arte de rotina. Se o nível cai muito entre o destaque e o resto, o destaque provavelmente teve prazo e verba que o seu não vai ter.
Verifique se ele mostra o raciocínio
Designer que explica por que escolheu aquela cor, aquela fonte ou aquele formato está resolvendo problema. Designer que só mostra o resultado pode estar entregando gosto. Não precisa ser um texto longo — uma linha por projeto já diferencia.
Sinais de alerta
- Só mockup, nenhuma peça fotografada em uso real
- Todos os trabalhos parecem do mesmo cliente, apesar de serem de clientes diferentes
- Nenhuma peça impressa, se você precisa de impresso
- Imagem de banco de imagens fazendo o trabalho pesado na maioria das peças
- Portfólio sem nenhum trabalho dos últimos dois anos
Nenhum destes reprova sozinho — vários deles têm explicação legítima, sobretudo em quem está começando. Servem para você saber o que perguntar, não para descartar.
O que perguntar sobre um trabalho que você gostou
Aqui o contato é direto, sem intermediário — então a conversa antes de fechar é sua melhor ferramenta de avaliação. Estas são as perguntas que mais revelam nesta área:
- Qual era o problema do cliente neste projeto, e o que mudou depois?
- Você fez a peça inteira ou entrou em parte dela?
- Quantas rodadas de ajuste esse trabalho levou?
- Você entrega os arquivos abertos em vetor?
- Já fez algo para um negócio parecido com o meu?
Escolher pelo portfólio mais bonito em vez do mais parecido com o seu caso
O portfólio mais impressionante costuma ser o de quem trabalha para marcas com verba grande, prazo longo e briefing pronto. Nada disso vai existir no seu projeto. O designer que fez a identidade de três pequenos negócios do seu porte, com resultado apenas correto, provavelmente vai te atender melhor — porque ele já lidou com a sua restrição. Procure semelhança de contexto antes de semelhança de gosto.
Perguntas frequentes
Como sei se o trabalho no portfólio é realmente dele?
Pergunte qual foi a parte dele no projeto — quem trabalhou em equipe responde isso sem hesitar e sem se ofender. Você também pode procurar a peça publicada no perfil do próprio cliente. Aqui, cada perfil traz contato direto, então dá para confirmar com quem contratou.
Portfólio pequeno é sinal ruim?
Não necessariamente. Cinco projetos bem escolhidos e explicados dizem mais que trinta peças soltas. Portfólio pequeno costuma indicar pouco tempo de estrada, o que aparece no preço — pode ser exatamente o que cabe no seu orçamento, desde que o escopo seja simples.
Vale contratar quem nunca fez nada do meu segmento?
Vale, e às vezes rende mais: quem vem de fora não repete o clichê visual do setor. O que não vale é contratar quem nunca fez o tipo de peça que você precisa — quem só fez post não necessariamente fecha um arquivo de embalagem para gráfica.